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Imagem: Altomar.


Nome popular
Peixe-espada/Largehead Hairtail

Nome científico
Trichiurus lepturus

Família
Trichiuridae

Distribuição geográfica
Do Amapá ao Rio Grande do Sul.

Descrição
Corpo comprido e comprimido; boca pontuda e longa, com dentes caninos finos; olhos grandes; nadadeira dorsal muito longa; nadadeiras pélvicas e caudal ausentes; nadadeira anal formada por uma série de espinhos bem separados. A linha lateral localiza-se bem abaixo da região mediana do corpo. A coloração é uniforme, prateada com reflexos azulados. Alcança 2m de comprimento total e 4kg.

Ecologia
Espécie costeira, encontrada em cardumes em águas rasas e calmas com fundo de areia ou lama. Alimenta-se principalmente de pequenos peixes. Peixe bastante esportivo. O valor comercial é baixo, embora a carne seja de boa qualidade e comum nos mercados. Os Espadas têm hábitos noturnos de caça. Ao entardecer aproxima-se das praias e costões em grandes cardumes, possibilitando uma pescaria mais produtiva.. Durante o dia sua captura é possível, embora normalmente apareçam isoladamente exemplares menores. Caçam predominantemente na meia água. Mordem peixes de várias espécies, arrancando pedaços, chegando a atacar até mesmo seus iguais, se sentirem que o outro está vulnerável ou indefeso!

Pesca com bóia
Como esta pesca geralmente é noturna, usa-se uma bóia luminosa. Prefiro a vermelha com LED, o qual é alimentado por uma pilha CR2032. Prenda um chumbo oliva de 20g para que a bóia fique em pé e para dar mais peso ao conjunto, e um pequeno destorcedor para engatar no grampo do chicote. Havendo luz, pode-se utilizar uma bóia de isopor, preferencialmente o modelo de arremesso. Como isca utilize a tradicional sardinha, inteira ou metade. Peixinhos e pedaços de bonito ou tainha também são boas opções. A vara pode ter de 2 a 4m, no mínimo 20lb, equipada com 100m de linha mestra de 0,30 a 0,40mm, num molinete médio.

Monte um chicote de tamanho adequado à vara(1,20 a 2m), de linha 0,50, atando um destorcedor com grampo médio numa ponta, para prender o aço. Coloque um chumbo oliva de 20g, ladeado por miçangas. A uns 5cm faça um nó de correr.. Coloque um conjunto miçanga/grampo/miçanga. Este grampo servirá para engatar a bóia na hora da pesca. Acima, faça um nó de correr para poder regular a altura da bóia conforme as condições do local, ou utilize uma borrachinha especial que faz o trabalho do nó. Ate outro destorcedor nesta ponta do chicote. O aço pode ser flexível ou rígido. No caso de usar o flexível, monte-o com cerca de 20cm, e empate um anzol 1/0 a 3/0, de "pescoço" longo, para fixar melhor a isca. Na opção pelo rígido(Preferencial), utilize aqueles que tem uma "molinha" e 15cm.

Prenda um anzol 1/0 a 3/0 nesta ponta, e outro igual no outro lado da isca, através de um grampo. A isca ficará estendida em metade do aço, com um anzol em cada lado. Prenda bem com elastricot. Em função da boca dura do peixe, para uma maior possibilidade e qualidade da fisgada, substitua os anzóis por garatéias 1 a 2/0, reforçadas, do tipo 3X ou 4X Strong. Prepare, previamente, alguns empates iscados, já que, se encontrar um cardume, a troca rápida potencializa a quantidade de capturas. Muitos pescadores acreditam que utilizar uma ampola de luz química próxima ao empate atrai o peixe. Esta luz também é conhecida por Star Ligth. Em princípio, regule a altura da bóia em 80/100cm. Se houver cardume, diminua para minimizar o risco de "acidentes bucais". Quando recolher a isca, faça-o em velocidade moderada, como se fosse uma artificial. Há grande possibilidade do peixe atacar nesta situação. Há ocasiões em que o peixe abocanha a isca, sem morder nem correr. Diz-se que o peixe está "mamando" a isca. A bóia se move apesar da água estar parada, por exemplo. Espere o Espada fazer um movimento mais longo, e fisgue na direção contrária, com a vara baixa. Preste atenção quando houver várias bóias na água e a maré estivar correndo, para evitar enroscos.

O chicote:


A bóia de arremesso, líder de aço flexível e luz química Maruri:



Pesca com artificiais
Essa modalidade é minha preferida por oferecer uma vantagem que a isca natural não possue: movimento. O Espada não é um peixe seletivo, atacando quase tudo que se mova. O instinto predador faz com que se lance furiosamente, até mesmo sobre um tubo de PVC que corra pela água. O "rebolado" de uma isca artificial é um atrativo especialmente irresistível. Praticamente qualquer isca de meia água ou superfície será produtiva. As primeiras descem até onde o Espada geralmente nada, mas as de superfície permitem, muitas vezes, ver o peixe seguindo a isca, além de "explosões" na água, quando ele a ataca vindo de baixo. Colheres, sticks, minnows, poppers, etc. Escolha, principalmente, as que apresentem algum brilho e ruído. Como a boca do peixe é longa e estreita, poderá morder no meio de iscas mais compridas, sem ferrar. Assim, acima de 13/14cm utilize, preferencialmente, as que possuam três garatéias. Sempre substitua as garatéias originais por reforçadas(3X ou 4X Strongh), nº 1 ou 1/0. E não dispense um líder de aço flexível, acima de 20lb, com 20 a 25cm, com destorcedor numa ponta, e destorcedor e grampo na outra. Grampos arredondados permitem um movimento mais livre da isca. Não é necessário trabalho especial. Recolha a isca continuamente em velocidade moderada e com a ponta da vara o mais próximo possível da água. Ao sentir a "mordida", erga a vara, dando uma fisgada de modo firme, mas sem tranco. Baixe-a, recolhendo a linha excedente, e mantendo-a sempre esticada para evitar que o peixe a corte ou enrosque-se e a estoure. É relativamente comum ele vir em sua direção e saltar fora d'água, cortando uma linha frouxa.

Escolha varas de 2 a 3m, de ação rápida para as iscas pesadas e ação média para as mais leves, equipada com linha 0,30 a 0,40mm. Costumo engatar uma ampola de luz química no líder de aço para acompanhar o arremesso e o recolhimento da isca. E, como dizem, pode ajudar a atrair o peixe.

Lembre-se que o peixe causará danos ao acabamento da isca. Utilize, portanto, aquelas mais "velhas" e desgastadas. Aqui também é válido o ditado "Isca grande, peixe grande". Iscas maiores parecem "selecionar" os exemplares mais desenvolvidos. Iscas sugeridas(Floatings): Lampejo 110 e 160, Marine Blue Fish e Big Game, Mustad ProCatch, Bomber LongA 16.

Exemplos de artificiais(Bomber 16, Jointed TabaSchütz e Marine Blue Fish):



Dicas
No manuseio do Espada, todo CUIDADO é pouco! Sua estrutura bucal possue caninos afiados e dentes serrilhados que prendem a "comida" e a cortam como tesoura. Pode causar danos sérios a membros humanos, pois sempre tenta morder, mesmo fora d'água. Segure o peixe firmemente pela nuca e retire as garatéias ou anzóis com um alicate de bico. Se for consumir, mate o peixe assim que retira-lo da água. Uma opção é perfurar a região do alto da cabeça, entre os olhos. Quando embarcado, tome cuidado adicional, pois não é incomum saltarem dentro do barco, causando ferimentos no pescador desavisado. E lembre-se de utilizar óculos protetores, especialmente quando lidando com garatéias. O tamanho mínimo legal para captura é de 70cm. Peixes pequenos fornecem pouca carne e muito trabalho na limpeza. Esteja sempre atento; o ataque pode ocorrer a centímetros da pedra ou do barco. Procure saber da ocorrência de sardinhas e manjubas na área. Quando elas buscam pequenas enseadas e entradas de rios ou canais para proteger-se, é quase certa a presença de Espadas em seu encalço. Esmerilhando a ponta de uma chave de fenda velha, obtêm-se um bom perfurador de iscas.

Ceva
Coloque restos de peixes, camarões, sardinhas amassadas, etc, e um peso, num recipiente plástico e congele. Na hora da pescaria faça vários furos com o perfurador de iscas, amarre o recipiente e solte na água. O cheiro irá se espalhar, atraindo o peixe ao barco ou pedra.

Preparo
O Espada tem uma carne clara e muito saborosa. Pode-se consumi-lo em postas ou filé. Retire o muco prateado que o recobre com uma esponja, daquelas feitas de fitas de aço, ou mesmo, areia. Limpe a peça e corte-a em postas. Com uma faca filetadeira comece pelas costas, contorne a coluna vertebral e acompanhe o espinhaço. Passe os dedos pela carne para retirar qualquer ponta de espinha que haja ficado. Está pronto o filé! Basta tempera-lo com sal e limão, passar na farinha e fritar. Outra boa opção é assar as postas na churrasqueira. O limite é sua imaginação!

Autor: Gerson Schütz Pinheiro

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