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A história e a pescaria num ícone da pesca de praia no Brasil.




A origem de uma das praias mais famosas da região Sudeste para a prática da pesca de praia tem suas raízes ligadas à época da colonização. Caraguatatuba começou a ser povoada no início de 1600, através do sistema português das chamadas sesmarias. A primeira de que se tem conhecimento ocupou a bacia do rio Juqueriquerê em 1609, e foi doada pelo capitão-mor Gaspar Conqueiro a Miguel Gonçalves Borba e Domingos Jorge, antigos moradores de Santos, como prêmio por serviços prestados á Capitania de São Vicente.

Em 1693, um violento surto de varíola, conhecida vulgarmente pelo povo como “bexigas”, vitimou parte da população da Vila. O restante dirigiu-se para as cidades de Ubatuba e São Sebastião, ficando então o local conhecido como a “Vila que desertou”. Devido à epidemia que se abateu sobre o povoado, o pequeno vilarejo ficou deserto.

Grupos de moradores que rumavam para Ubatuba ficaram pelo caminho e instalaram-se perto de uma praia próxima à trilha, junto a alguns indígenas de aldeias guaranis, presentes em grande parte da Serra do Mar. Tinha início uma nova comunidade. Os índios viviam no pé da serra, próximos aos rios, mas distantes da orla da praia. Segundo seus mitos, o barulho do mar era temido, pois representava a grande água “que separa os homens dos deuses”, ou “pará guachu”. Foi essa a origem histórica do nome de nossa querida praia de Massaguaçú.






Distante 8 quilômetros do centro da cidade e ao lado da rodovia Rio-Santos (BR-101), trata-se de um ponto privilegiado para a prática de nossa paixão, onde o pescador tem a comodidade de parar seu veículo muito perto ponto em que vai pescar. Praia de areia grossa e ondas fortes, ela é considerada uma das melhores do litoral paulista para a prática da pesca de arremesso com os pés na areia.

Por ser “de tombo”, funda e com as correntes marinhas passando muito perto da orla, requer maior cuidado por parte de banhistas do que de pescadores. Não é necessário entrar na água para arremessar e alcançar o primeiro canal, com boa profundidade e grandes peixes, numa distância de cerca de dez metros da areia.

Em outras palavras, Massaguaçú tem vocação natural para a prática da pesca, afirmação válida para qualquer época do ano.
Entre as décadas de 1970 e 1980, muitas famílias passavam férias e finais de semana acampados na praia (quando a prática ainda era permitida), pescando com a luz do Sol ao longo do dia e a de lampiões durante a noite, à espera dos grandes peixes, que apareciam com freqüência.



Foto:Gianni D'Angelo


A orla que corre paralelamente à rodovia funde-se, ao sul, com a praia de Capricórnio, onde a foz do rio Jetuba (ou Massaguaçú) corre de encontro ao mar. No entanto, suas águas ficam represadas pela areia durante boa parte do tempo, formando uma grande atração local para turistas e, claro, pescadores: a Lagoa Azul. O cenário muda quando uma maré mais alta ou uma ressaca rompem a barreira natural, momento que constitui uma excelente oportunidade para pescar robalos na embocadura do rio.

Ao norte, na mesma faixa de areia e separada apenas pelo rio Gracuí (ou Cocanha), está a praia da Cocanha, com ondas mais calmas e mais procurada por banhistas. Conta com uma vila de pescadores, onde a fabricação de canoas e artesanato ainda é um costume. A partir dessa praia, a vista de quatro ilhas da região é privilegiada. São elas: Ilhote, Tamanduá, Cocanha e a grande Ilhabela.

Em 1999, Massaguaçú foi palco do campeonato mundial interclubes de pesca de praia, disputado por equipes de diversos países, como Brasil, Espanha, Portugal, Itália, Holanda, França e Bélgica. Na ocasião os brasileiros do Clube Gaivotas foram os campeões.

Durante anos, clubes, empresas e prefeituras promoveram campeonatos, confraternizações e agitadas gincanas de pesca nessa praia, colaborando para a crescente fama de ponto pé-quente para a prática da pesca. Hoje, essa movimentação já não é tão freqüente, em virtude de vários fatores desestimulantes, entre eles a falta de fiscalização sobre a pesca de arrasto que resulta na diminuição dos peixes em nossas praias.



Dalton e seu belo robalo


Modalidades
O pescador pode encontrar várias opções de pesca ao longo das duas extremidades da praia, Capricórnio (ao sul) e Cocanha (ao norte). A pesca de costão pode ser feita nas pedras, com a vantagem de iscas naturais como baratinhas, mexilhões e saquaritás poderem ser capturadas no local. Os principais alvos são garoupas e sargos, entre outros peixes.

Para quem preferir pescar durante a noite, a dica é ficar no perímetro em que a Rio-Santos passa em frente à orla. Nesse trecho, há iluminação para a pista e alguns refletores voltados para a praia.



Juliano e mais um cobiçado robalo


Encontramos boas iscas vivas na própria praia, desde pequenos peixes a moluscos e crustáceos, como sarnambis, tatuíras e marias-farinha, todas muito bem aceitas pelos peixes. Para os mais preguiçosos, um quiosque localizado no centro da praia comercializa camarão, corrupto e minhoca de praia, congelados. Outra opção é dirigir-se à praia do Centro (camaroeiro) onde pode-se adquirir camarão sete-barbas fresco sem conservantes, na colônia dos pescadores.






A lista de espécies encontrada em Massaguaçú é extensa: miraguaia, robalo, corvina, cação, betara, pampo, arraia, ubarana, farnangaio, palombeta, maria luíza, baiacu e bagres estão sempre presentes. Vários peixes de grande porte já foram capturados na praia.


Hamilton e seu troféu


Os equipamentos indicados para a pesca em Massaguaçú, vão variar de acordo com a opção de pesca escolhida pelo pescador.

Para uma pesca de beira, equipamento leve até 20lbs entre 2,40m e 3,00m e molinetes de pequeno porte.

Para uma pesca de média, vara de 3,30 e 3,90m com casting entre 70 e 120g e molinetes médios.

Para longas distâncias, caniços de 3,90 e 4,20m com casting entre 100 e 250g formando conjunto com molinetes de carretéis cônicos “long cast” são os mais indicados.






A região da Massaguaçú conta com uma boa estrutura para receber seus visitantes. Supermercados, farmácias, pizzarias e padarias estão reunidas num mesmo espaço, na entrada de Capricórnio e bem perto do centro da cidade. Ônibus municipais têm pontos de parada em vários pontos da praia, facilitando a locomoção para quem estiver hospedado na região.

Pousada e hotel com o pé na areia propicia ao pescador poder pescar sem estar longe de sua família e sem preocupação.






REVOLTA
Desde 1955, com a criação do trecho rodoviário da orla, o homem vem desrespeitando a natureza dentro e fora d’água. Áreas de desmatamento e construções proibidas às vezes são ignoradas. Mesmo com a zona de proteção ambiental, que vai da ponta do Capricórino a ponta da Ilha de Tamanduá, proibindo a pesca de arrasto, quem freqüenta o local comumente observa traineiras a menos de 80 metros da praia.

Sem uma fiscalização efetiva e notória desobediência da lei, convivemos com o desperdício, descaso e vamos assistindo lentamente o sumiço de nossos peixes.

Peixes pequenos que ficam enroscados nas redes são ali mesmo descartados por não terem valor comercial. Infelizmente esse não é um ponto negativo somente desta praia, e sim em várias praias do Brasil.


> Onde fica: a praia de Massaguaçú fica na cidade de Caraguatatuba litoral norte de São Paulo, seu principal acesso é pela Rodovia dos Tamoios (SP-099) e está a 182km da capital. As margens da Rodovia Rio-Santos (BR-101) na altura do kilômetro 92.

Agradecimentos: Secretaria de Turismo e Comunicação de Caraguatatuba.





Autor: Marcelo Rubio Esteves
Matéria: Matéria da Revista Pesca Esportiva, Edição Nº 127/Março de 2008.


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